Produtores tentam equalizar preço do suíno vivo sem afetar o consumo

14/09/2015
Nos últimos dias, se tem observado uma alta no preço do suíno, tanto no Paraná, quanto nos demais estados

O mercado de suínos está ajustando seus custos de produção para definir o preço do animal vivo para abate e da carne suína que contemple as necessidades de todos os integrantes da cadeia, sem afetar o consumo. A questão envolve produtores independentes e integrados, cooperativas, intermediários, frigoríficos, empresas integradoras e atacadistas.

Nos últimos dias, se tem observado uma alta no preço do suíno, tanto no Paraná, quanto nos demais estados, incluindo Minas Gerais e São Paulo, que são referências no Brasil. Isso se dá, também, em razão do aumento da procura pela carne suína diante dos novos hábitos do consumidor. No Paraná, o suíno vivo chegou a ser comercializado, semana passada, por produtores independentes, a R$ 4,10 o quilo, em média, sendo que em algumas regiões do estado, como a de Guarapuava, a semana começou com o preço cotado em R$ 4,25. Já o mercado de São Paulo (BCSSP) abriu a semana com o quilo a R$ 4,21/4,27.

A pesquisa feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (ESALQ/USP), o chamado “Cepea/UFPR”, apontou que na semana passada a média no preço do suíno, no Paraná, foi de R$ 3,72.

Num breve levantamento junto aos integrantes da cadeia suinícola no estado paranaense, se verifica, também, uma leve disputa no ambiente de negócios, com concessões de ambas as partes, até que se consolide um valor que atenda às necessidades do produtor, mas que ao mesmo tempo não sobrecarregue quem está do outro lado da negociação. Esse valor já está sendo definido em torno dos R$ 4,00 o quilo do suíno vivo.

O que está certo, mesmo, é que se os custos se oneram cada vez mais, os repasses são necessários. Por isso, a necessidade de definir um preço médio referencial que norteie o mercado suíno no Paraná, que é o terceiro maior produtor do país, assim como no restante do Brasil.

Outro fator a se observar, é que o preço da carne bovina no mercado brasileiro não se retraiu e se mantém elevado, e isso estimula o consumo das outras carnes, como a suína. Em meio à crise econômica como a que está ocorrendo no Brasil, o consumidor acaba optando por uma carne com preço mais acessível no varejo.

O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Jacir Dariva, assim como para os demais produtores contatados, como o presidente da Associação de Suinocultores do Oeste do Paraná (Assuinoeste), Adilson Kulpa, destacam, ainda, a alta do dólar como um fator importante que tem influenciado os ajustes no preço do suíno. “O dólar em alta acaba elevando o preço dos insumos, e isso acaba gerando preocupações aos produtores”, ressaltam as lideranças do setor. Ou seja, se de um lado a alta do dólar facilita as exportações brasileiras de carne, de outro aumenta os custos, pois os insumos, dentre os quais o farelo de soja, milho e outros ingredientes da nutrição animal, são cotados em dólar.

Na verdade, o mercado de suínos vive um momento totalmente diferente do que ocorreu no mesmo período do ano passado. Enquanto em 2014, quando tradicionalmente se inicia um quadro melhor ao produtor, o dólar se encontrava na casa dos R$ 2,80 e os insumos estavam em baixa, agora o dólar já está próximo dos R$ 4,00 e os insumos tiveram uma alta considerável, exemplos dos preços do milho e do farelo, alimentos básicos que compõem a ração animal. Assim, mesmo que não se sustente por muito tempo um preço acima dos R$ 4,00 por quilo do suíno vivo, os produtores alegam não se tratar de aumento na margem de lucros – algo que deve existir em qualquer atividade -, mas que se está apenas repassando o aumento nos custos de produção da atividade.

Também nesse sentido, os produtores lembram que nos meses de outubro e novembro do ano passado, o preço do quilo do suíno vivo girava em torno de R$ 4,80, enquanto o dólar estava na faixa dos R$ 2,80, consequentemente, com custos de produção controlados, e que não é isso o que ocorre atualmente, justificando a necessidade de se equalizar o preço do suíno, para dar fôlego aos criadores para cobrir o aumento nos custos de produção.

Exportações

As exportações dos produtos do agronegócio alcançaram US$ 7,34 bilhões em agosto deste ano, o que representa recuo de 17,4% nas vendas externas do país em relação ao mesmo mês do ano passado. As carnes apareceram em segundo lugar no ranking exportador do agronegócio no mês passado, com US$ 1,30 bilhão e 563 mil toneladas embarcadas, sendo que a carne de frango teve receita de US$ 642 milhões, enquanto a carne bovina apareceu com vendas externas de US$ 498 milhões. A carne suína in natura está na terceira posição, com um resultado de US$ 114 milhões em remessas para o exterior.

 

Dólar e “risco Brasil” 

Em se tratando de dólar, a moeda norte-americana fechou a semana passada no maior nível desde 2002, chegando às máximas históricas, em meio a renovadas preocupações com a crise política e econômica no Brasil e com investidores buscando proteção antes de eventos importantes nos próximos dias, tanto no cenário local quanto no externo. O dólar avançou 0,69 por cento, a 3,8771 reais na venda, maior nível de fechamento desde 23 de outubro de 2002, quando foi a 3,915 reais. Na semana passada, o dólar acumulou alta de 0,43 por cento sobre o real.

Ainda na semana passada, na noite da quarta-feira, dia 9, a Agência S&P piorou a classificação de risco do Brasil para "BB+" ante "BBB-" e sinalizou que pode colocar a nota ainda mais dentro do grau especulativo ao atribuir perspectiva negativa ao rating. Enquanto isso, o mercado espera que o governo reaja anunciando mais medidas fiscais.

Os economistas observam que, impulsionado pela perda do selo de bom pagador pelo Brasil, o dólar continuará sua disparada, como na quinta-feira, dia 10, movimento que só foi contido pela atuação do Banco Central, que anunciou leilão de venda de dólares com compromisso de recompra.

 

 

(Cesar da Luz, jornalista, editor da Liverpool Comunicação, empresa responsável pela Área de Comunicação & Marketing da APS)

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