NOVA TECNOLOGIA TRANSFORMA DEJETOS EM ADUBO, GERANDO OPORTUNIDADE DE RENDA AO SUINOCULTOR

18/03/2016
Além de solucionar a questão dos dejetos, um novo sistema tecnológico proporciona renda extra ao produtor com a venda do adubo

Uma nova tecnologia chega ao mercado como solução ambiental e de geração de renda extra ao produtor, com a transformação de dejetos em adubo, contribuindo também para a produção de bioenergia nas granjas, pois o complexo é instalado antes dos biodigestores. A tecnologia começa a ser implantada em granjas da região Sul do Brasil, como em Monte Castelo (SC), onde o complexo pode ser encontrado numa granja de 3.000 suínos. O equipamento produz adubo orgânico ou organomineral em poucos minutos e em grande quantidade.

O Sistema APS tem acompanhado todas as fases de desenvolvimento, implantação e lançamento da nova tecnologia, por entender que se trata de uma grande alternativa para tratar os dejetos e como oportunidade de negócio, especialmente aos pequenos produtores.

Na verdade, a nova tecnologia, que chega ao mercado com a marca “Dejgran”, uma combinação de “dejeto” e “grânulo”, esteve sob estudos e ajustes nos últimos três anos, em um complexo experimental instalado em uma granja de suínos no oeste do Paraná. A nova solução resolve o problema do dejeto e gera renda extra ao produtor com a venda do adubo, produzido em grânulos, minutos após a primeira fase do processo, que é a separação de sólidos e líquidos. Permite também aumentar a produtividade agrícola, com o uso do adubo orgânico ou organomineral, reconhecidamente de alto poder de fertilização.

Experiência em campo

Numa propriedade em Rio Verde (Goiás), pesquisa da Embrapa, feita em conjunto com a Universidade Federal de Goiás, visando à recuperação de pastagens com a utilização de dejetos de suínos, mostrou que a adubação de Brachiaria brizantha cv. Mandaru, com doses crescentes de dejetos de suínos, trouxe um incremento de 156% na produção de matéria seca por hectare, e a qualidade da proteína na matéria seca melhorou 230%. Com base nos dados dessa pesquisa, realizada pelos mais competentes órgãos, os números falam por si no que diz respeito à eficácia dos dejetos suínos na recuperação de pastagens.

O mesmo ocorreu em outra pesquisa realizada pela Universidade Federal da Fronteira Sul, de Chapecó (SC), e pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), de Guarapuava (PR), a qual concluiu que o uso de dejetos suínos proporcionam resultados altamente satisfatórios, quando comparados a outras formas de adubação.

Por outro lado, vários organismos públicos e privados, nos últimos anos, têm realizado pesquisas sobre o uso de dejetos como fertilizante, nas mais variadas culturas. Em 2009, em Cascavel, por exemplo, a Embrapa, junto com as cooperativas da região oeste do Paraná e técnicos da Coodetec e do Iapar, promoveu reunião para apresentar resultados dessas pesquisas e propor soluções aos problemas dos dejetos da suinocultura. Tais pesquisas mostraram que o adubo organomineral é o fertilizante mais eficiente, superando o químico e o super simples.

Os técnicos concluíram ainda que a utilização do biofertilizante fecha o ciclo do resíduo animal gerado em uma atividade, transformado em potencial insumo para outra, no caso, a agricultura. Dessa forma, é possível integrar o potencial produtivo disponível na propriedade, numa produção sustentável, com proteção ecológica associada à geração de mais renda e maior crescimento econômico às propriedades rurais. Para isso, já em 2009 foi proposta a instalação de indústrias granuladoras de dejetos para produção de biofertilizante para posterior armazenamento, transporte e uso em plantadeiras no plantio direto.

Porém, dois fatores inviabilizavam qualquer tecnologia nesse sentido: a morosidade no processo e a questão econômica. Antes de ser granulado, o dejeto deveria passar por compostagem, que leva de 120 a 180 dias. Na questão econômica, o custo tornava inviável qualquer projeto, pois a planta, contemplando a construção civil, equipamentos e depósito, em valores da época, foi orçada em R$ 26 milhões.

APS apoia a nova tecnologia

O Sistema APS está apoiando a tecnologia Dejgran. A Associação Paranaense de Suinocultores entende que a solução que chega ao mercado vem ao encontro das necessidades das granjas e fortalece a suinocultura, proporciona renda extra ao produtor com a venda do adubo. “Com a evolução da atividade, é preciso que a suinocultura seja sustentável em todos os aspectos. Nesse caso, temos uma alternativa que tira o rótulo de vilã do meio ambiente e transforma a suinocultura em uma grande aliada da preservação, além de significar fonte de renda a mais para o produtor, sempre prejudicado na questão dos custos de produção e do preço baixo do suíno”, pontua Jacir Dariva, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS).

Para a suinocultura, a solução Dejgran também permite que os planteis sejam ampliados, sem prejuízos ao meio ambiente, pois os dejetos passam a ter uma destinação ambientalmente correta. O processo contribui ainda de forma direta para a baixa emissão de gases que provocam o efeito estufa, além de reduzir os maus cheiros na produção de suínos.

Como funciona a tecnologia Dejgran

Até o desenvolvimento final da nova tecnologia, foram três anos de ajustes no equipamento instalado na granja piloto, com várias tentativas, muitas sem sucesso na granulagem do adubo. Em outras tentativas, esfarelava-se o produto logo após a granulação. Foram necessários diversos testes em compostos agregados e após todos os ajustes, se chegou ao resultado almejado: adubo em grânulos poucos minutos após o início do processo em sistema contínuo, com alta produtividade por hora de funcionamento do equipamento.

O processo começa na saída da pocilga, onde é construído um reservatório para abrigar os dejetos sólidos e líquidos produzidos na granja, de acordo com o número de animais. O conteúdo do reservatório é homogeneizado e então liberado para um equipamento que separa até 65% dos dejetos sólidos, incluindo os pelos dos animais, num índice bem superior ao apresentado pela melhor tecnologia disponível até hoje no mercado, liberando apenas o líquido para os biodigestores ou lagoas de decantação.

Durante o processo, os dejetos recebem aditivos de outros compostos e são encaminhados ao granulador e posteriormente aos secadores, de onde são transportados para silos resfriadores, com o adubo pronto para sua utilização em plantadeiras, espalhadores ou armazenamento em sacas, bags e silos, ou para transporte a granel. Como é usada cama de aviário na composição do adubo, isso aumenta a capacidade de cada complexo instalado. Por ser granulado, o adubo permite que em um mínimo de umidade do solo já se consiga resultado imediato como fertilizante.

 

(Fonte: Liverpool Comunicação/APS)

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